O arquitecto perdido

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Uma espiral esvoaçava intersectando o nada em redor,

pensando ser edifício.

Pedra sobre pedra no dorso duma gaivota,

fingiam-se de colunas.

A luz através das grades adquiria tonalidades diversas,

julgando-se vitral.

Os operários esculpiam uma brisa matinal,

vendo surgir madonas sagradas.

O arquitecto perdido sentia-se afogar,

numa massa líquida borbulhante.

Nascia assim uma catedral imensa,

edificada no fundo duma taça de champanhe.

publicado por poetazarolho às 22:16 | comentar | favorito